quarta-feira, 1 de abril de 2026

"Há quem procure alívio em comprimidos; outros, em ideias" - Professor Julio Francisconi




Vivemos em uma época que medicaliza o sofrimento com rapidez, como se toda dor precisasse ser silenciada. Mas essa arte provoca um deslocamento: e se, ao invés de anestesiar, nós escutássemos?

Nietzsche nos confronta; Platão nos convida a pensar o mundo para além das aparências; Sêneca nos ensina sobre o tempo; Freud nos leva ao inconsciente; Foucault revela os jogos de poder; Bauman expõe a fragilidade dos vínculos; Sartre nos responsabiliza por nossa liberdade; Jung amplia o olhar simbólico; Spinoza nos fala dos afetos; Rumi nos atravessa pela dimensão do sensível.

Nenhum deles elimina a dor.

Mas todos, à sua maneira, nos ajudam a sustentá-la sem nos perdermos dela.

Talvez o sofrimento não seja algo a ser simplesmente apagado, mas compreendido.

E é nesse ponto que a escuta se torna mais potente do que qualquer fórmula pronta.

Nem todo remédio está na farmácia.

Alguns estão na palavra.

Autor: Professor Julio Francisconi – Psicanalista