domingo, 3 de julho de 2022

A inveja é uma forma aberrante de se demonstrar o quanto se admira uma pessoa

Imagem: Ilustração


Já parou para tentar entender porque a atitude invejosa existe entre seres humanos?

Imagine que você está passeando com sua namorada ou seu namorado. Passa, então, alguém e aparentemente se incomoda com sua sensação de felicidade. 

Ignorar é o melhor caminho. 

Agora repare bem se você está fazendo o papel do invejoso ou do invejado.

Se a sua primeira reação é soltar um "ele é gay" (caso você seja um homem) ou um "ela é uma vagabunda" (caso você seja uma mulher), certifique-se de como anda a sua auto-estima pois o invejoso da história é você.

Há uma enorme diferença entre admirar e invejar. A admiração é quando você reconhece a qualidade e credibilidade do próximo.

Em caso de relações afetivas o amigo admirador é aquele que vibra com sua felicidade e conquistas, o oposto disso é o invejoso que descredibiliza suas conquistas quando na verdade queria estar no seu lugar.

A inveja é um sentimento com o qual todos convivem em algum momento das vidas. Trata-se de um desejo de possuir o que o outro pertence, portanto, se caracteriza pelo desgosto diante da felicidade alheia. É uma consequência direta da competição entre as pessoas.

Filmes, novelas e livros retratam há anos e anos a inveja por meio de seus personagens. Alguns muito famosos são Iago, de “Otelo, o Mouro de Veneza”, de Shakespeare e a bruxa da Branca de Neve.

O que muita gente confunde são as diferenças entre ciúmes e inveja. Por mais que estejam ligados e um possa desencadear no outro, é preciso entender no que se diferem. 

O ciúmes é motivado por algo que se possui e se tem medo de perder, enquanto a inveja é o sentimento de falta, em que você se compara com o outro e deseja possuir o que ele tem.

Quem explica é o psicólogo evolutivo David Buss, da Universidade do Texas, em vários trabalhos recentes.

Ele diz: "Ninguém gosta de sentir inveja, de perceber que alguém, em algum sentido, é superior. É um sentimento desagradável, por mais que se tente disfarçar."

Homens e mulheres, diz Buss, sentem tipos diferentes de inveja. Isso porque tiveram que se adaptar a dificuldades diferentes na evolução.

Como a inveja é consequência direta da competição entre as pessoas, homens tendem a se incomodar mais com outros homens que possuem algo de valor. 

EXEMPLOS:

A promoção recebida por alguém no trabalho não significa competência ("é um mero puxa-saco").

A vizinha não é bonita porque se cuida ("fez uma plástica").

O instinto humano é não se inferiorizar com relação aos outros - ninguém quer ser visto como a última opção, especialmente em termos sexuais.

Tentar rebaixar quem está por acima, então, é uma tentativa, talvez até desesperada, de não parecer menor do que eles.

As pessoas, então, geralmente não admitem que sentem inveja porque fazer isso seria uma forma de dizer aos outros "sim, estou abaixo no ranking social e sei disso".

Gore Vidal, escritor americano, interpretou a inveja da seguinte forma: "As pessoas para não se sentirem inferior precisam ver o fracasso do outro."

Portanto, se você é homem e alguém na rua questionar a sua sexualidade é muito provável que seja apenas um invejoso querendo estar no seu lugar e se você for mulher e lhe chamarem de "vagabunda" é muito provável que seja alguma mulher que queria estar no seu lugar.

O equilíbrio é vital. Para Deus não existem seres superiores ou inferiores. Ninguém é melhor ou pior que ninguém. Os rótulos sociais foram criados pela própria sociedade competitiva, portanto, cuida do seu jardim e não inveja o jardim alheio. É mais digno e honrado.