![]() | |
| Curi e Gleisi lideram recorte, mas Senado segue aberto |
A Paraná Pesquisas divulgada nesta terça-feira, 7 de julho, coloca Alexandre Curi e Gleisi Hoffmann nas duas primeiras posições do cenário sem Alvaro Dias e Cristina Graeml.
O recorte ganha relevância porque Alvaro condiciona sua candidatura a uma aliança ampla, Cristina enfrenta resistências no grupo de Ratinho Junior e a situação eleitoral de Deltan Dallagnol permanece contestada. Se essas três variáveis se confirmarem, Curi e Gleisi chegam às convenções como os nomes mais bem posicionados, mas ainda sem favoritismo estatístico isolado.
A disputa pelas duas vagas do Paraná no Senado não será decidida apenas pela força eleitoral registrada nas pesquisas. Antes da campanha, o primeiro filtro será a própria composição da lista de candidatos.
A Paraná Pesquisas mostra que Alvaro Dias lidera quando seu nome é apresentado aos entrevistados. O ex-senador alcança 39,7%, seguido por Gleisi Hoffmann, com 25,9%; Deltan Dallagnol, com 25,2%; Alexandre Curi, com 23,5%; e Filipe Barros, com 22,9%.
Cada entrevistado podia indicar até dois nomes porque o eleitor paranaense escolherá dois senadores em outubro. Por essa razão, os percentuais não devem ser somados como numa pesquisa para governador.
A liderança de Alvaro, entretanto, está vinculada a uma candidatura que ele próprio mantém condicionada.
Em declaração publicada em 22 de junho, Alvaro afirmou que sua participação dependerá de estrutura política e da construção de uma aliança ampla. O ex-senador disse estar disponível caso sua candidatura ajude a reunir a base estadual, mas admitiu retirar o nome se a renúncia facilitar a composição entre os partidos.
A afirmação transforma os 39,7% em um ativo de negociação. Alvaro tem intenção de voto, memória eleitoral e baixa rejeição, mas ainda não apresentou sua presença na urna como decisão irreversível.
Saída de Alvaro e recuo de Cristina elevam Curi
No cenário sem Alvaro Dias e sem Cristina Graeml, Alexandre Curi aparece numericamente na primeira posição, com 30,2%. Gleisi Hoffmann tem 28,9%, Filipe Barros registra 27,8% e Deltan Dallagnol alcança 27,7%.
A distância entre Curi e Deltan, primeiro e quarto colocados, é de apenas 2,5 pontos percentuais. Como a margem estimada de erro da pesquisa é de 2,6 pontos, os quatro nomes estão tecnicamente empatados.
O resultado não autoriza declarar Curi e Gleisi eleitos antecipadamente. Permite, porém, dizer que os dois ocupam as posições numericamente mais altas no recorte que exclui Alvaro e Cristina.
Esse cenário ganhou peso político porque Cristina enfrenta resistências dentro do próprio grupo do governador Ratinho Junior (PSD).
Deputados, prefeitos e integrantes da base governista relataram ao Blog do Esmael dificuldades para acomodar a pré-candidatura de Cristina ao Senado. A disputa por espaço com aliados antigos, o conflito eleitoral de 2024 com o prefeito Eduardo Pimentel e a concorrência direta com Alexandre Curi reduziram o apoio interno a uma candidatura majoritária.
A alternativa discutida por governistas é uma candidatura à Câmara dos Deputados. Nesse desenho, Cristina aproveitaria sua votação e seu reconhecimento em Curitiba para fortalecer a bancada federal do PSD, sem disputar uma das vagas reservadas ao Senado pelo grupo de Ratinho.
A própria pesquisa de julho oferece munição para essa operação. No cenário sem Alvaro, mas com Cristina, Curi lidera com 31,2%. Filipe Barros aparece com 28,9%, Gleisi registra 28,7% e Deltan tem 28,1%. Cristina fica distante do primeiro pelotão, com 13,2%.
A comparação com junho reforça o problema. Curi passou de 28,9% para 31,2%, avanço numérico de 2,3 pontos. Gleisi variou de 27,9% para 28,7%. Filipe caiu de 30% para 28,9%, enquanto Deltan recuou de 30,5% para 28,1%.
Cristina teve a maior perda do grupo: passou de 17,4% para 13,2%, queda de 4,2 pontos. Embora pesquisas sucessivas não permitam atribuir automaticamente uma causa ao movimento, a trajetória reduz seu poder de pressão por uma vaga na chapa majoritária.
Dúvida sobre Deltan impede favoritismo definitivo
A terceira variável é Deltan Dallagnol. Adversários sustentam que a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que cassou seu registro de candidatura e provocou a perda do mandato de deputado federal em 2023, teria produzido impedimento para a eleição de 2026. O Partido Novo e a defesa de Deltan afirmam que a decisão atingiu apenas o registro apresentado em 2022 e não estabeleceu uma proibição automática para eleições futuras.
Essa divergência não foi encerrada por uma decisão específica sobre a candidatura ao Senado em 2026.
Decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) reconheceram que discutir publicamente a eventual inelegibilidade de Deltan não pode ser proibido como censura prévia. Esses julgamentos trataram da liberdade de expressão e da propaganda eleitoral antecipada, não do deferimento definitivo de uma candidatura ao Senado.
Os adversários cobram que Deltan apresente uma certidão eleitoral capaz de comprovar sua condição. A cobrança tem efeito político, mas exige precisão jurídica.
O TRE-PR fornece certidões de quitação eleitoral, filiação partidária e crimes eleitorais. A certidão de quitação demonstra que o eleitor está em dia com suas obrigações; a de crimes informa a existência de condenação criminal eleitoral transitada em julgado. Nenhuma delas, isoladamente, substitui uma decisão judicial sobre uma causa controvertida de inelegibilidade.
Desde março de 2026, o mecanismo próprio para antecipar essa resposta é o Requerimento de Declaração de Elegibilidade (RDE). A norma do TSE permite que um pré-candidato ou seu partido provoque a Justiça Eleitoral quando houver dúvida razoável sobre a capacidade de concorrer. Para uma eleição geral, o pedido do pré-candidato precisa da anuência expressa do partido ou da federação.
O TRE-PR mantém uma página pública para acompanhamento desses processos. Nas fontes oficiais consultadas até 7 de julho, o Blog do Esmael não localizou uma decisão definitiva que declare Deltan elegível ou inelegível especificamente para a eleição de 2026.
Enquanto essa resposta não existir, o Blog do Esmael separou as posições: os adversários o classificam como inelegível; Deltan e o Novo afirmam que ele pode concorrer; a definição vinculante dependerá da Justiça Eleitoral.
Essa indefinição interfere diretamente na leitura da Paraná Pesquisas. Se Deltan for autorizado, ele permanece no bloco tecnicamente empatado com Curi, Gleisi e Filipe. Se for impedido, abre-se uma faixa eleitoral relevante, mas a pesquisa não permite afirmar para onde seus votos migrariam.
O instituto não testou um cenário que retirasse simultaneamente Alvaro, Cristina e Deltan. Portanto, dizer que Curi e Gleisi seriam os vencedores desse arranjo seria uma extrapolação.
O que os números permitem afirmar é mais restrito: sem Alvaro e Cristina, Curi e Gleisi aparecem nas duas primeiras posições. Caso Deltan também saia da disputa, ambos estarão entre os candidatos mais beneficiados pelo estreitamento da lista, mas Filipe Barros continuará competitivo e apenas 1,1 ponto atrás de Gleisi no cenário disponível.
A rejeição também separa os dois líderes numéricos. Gleisi tem 42,1%, o maior índice entre os nomes avaliados. Curi registra 7,3%, praticamente empatado com Filipe Barros, que tem 7,4%. Deltan aparece com 11,9%, Alvaro com 12,7% e Cristina com 8,1%. A pergunta permitia rejeitar mais de um candidato.
Curi reúne, portanto, intenção de voto próxima de 30% e rejeição baixa. Gleisi dispõe de uma base eleitoral igualmente competitiva, mas enfrenta resistência muito superior. Um começa com maior espaço para crescer; a outra começa com um eleitorado mais polarizado entre apoio e rejeição.
A eleição, contudo, permanece pouco cristalizada. Na pergunta espontânea, 79,6% não indicaram candidato. Deltan foi lembrado por 4,2%, Gleisi por 2,8%, Alvaro por 2,1%, Curi por 1,8% e Filipe por 1,7%.
A Paraná Pesquisas ouviu presencialmente 1.500 eleitores de 55 municípios entre 3 e 6 de julho. A margem estimada de erro é de 2,6 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número PR-01166/2026.
Curi e Gleisi podem ser tratados como favoritos condicionais no ambiente descrito: lideram numericamente sem Alvaro e Cristina e ganhariam espaço adicional se Deltan não pudesse disputar. A condição é indispensável. A pesquisa registra uma disputa aberta, não uma dupla definida.
Fonte e imagem: Blog do Esmael Morais


POR:
BASSA
