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Crédito: Arquivo Pessoal |
Na obra, o autor Lucelmo Lacerda defende que políticas de inclusão para indígenas com TEA precisam ser construídas em diálogo com as próprias comunidades.
Livro analisa a ausência de dados, as falhas nas políticas públicas e o descompasso entre o modelo de inclusão adotado no país e as realidades culturais das comunidades indígenas
Apesar do avanço do debate sobre autismo no Brasil, povos indígenas seguem praticamente fora das políticas públicas de saúde e educação voltadas ao tema. A constatação é apresentada no livro ‘Autismo em Terras Indígenas – Saúde, Educação e Interculturalidade com os Povos Originários’, publicado pela Juruá Editora.
Falta de dados e acesso mantém indígenas invisíveisCom base nos dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos — que aponta uma prevalência de cerca de 3% na população infantil —, pesquisadores estimam que existam entre 45 mil e 50 mil indígenas com TEA no Brasil. Essa taxa do CDC é amplamente utilizada como referência epidemiológica internacional.
"Não existem dados oficiais. Primeiro porque, nos contextos urbanos, a população indígena está em locais com pouquíssimo acesso à educação e, principalmente, à saúde. Se a dificuldade de diagnóstico já é um problema geral no Brasil, nessas periferias e regiões mais vulneráveis ela fica ainda mais saliente”, argumenta Lucelmo Lacerda.
Segundo o autor do livro, a ausência de dados oficiais está ligada à dificuldade de acesso aos serviços públicos e, também, às barreiras culturais na compreensão do autismo.
Além das dificuldades estruturais, o livro aponta que diferentes povos indígenas interpretam o autismo a partir de suas próprias cosmologias, o que altera a relação dessas comunidades com diagnóstico, tratamento e acompanhamento especializado.“Tem uma parte importante desses grupos indígenas que não entendem isso como autismo, como um fenômeno a ser endereçado por processos diagnósticos, processos que para nós, não indígenas, é o óbvio”, destaca.
Segundo o pesquisador, em muitas comunidades os comportamentos associados ao espectro autista são compreendidos por perspectivas espirituais e ancestrais. “Muitos interpretam como uma espécie de um mal trazido pelos brancos, como uma maldição, outros entendem como um dom espiritual”, pontua o pesquisador da área.
Leia a notícia completa da jornalista Marília Braga no site O Povo


POR:
Thalita Bassa
