sexta-feira, 10 de abril de 2026

Psicólogo Marcelo Vitoriano - colaborador da ONU fala sobre a tensão entre o discurso na teoria e a inclusão da prática concreta da pessoa Autista no mercado de trabalho


O desemprego entre adultos autistas no Brasil é alto, estimando-se que cerca de 85% estejam fora do mercado de trabalho formal

O Transtorno do Espectro Autista ainda é objeto de estudo pela ciência e há muito a se entender sobre seus meandros. A realidade, no entanto, é que há um grande número de pessoas incluídas nessa condição que precisam estar inseridas nos diversos espaços da sociedade, como o mercado de trabalho.

Essa é uma demanda urgente e importante, que deve ser atendida por empresas e poder público no sentido de ser mais um passo na construção de uma sociedade mais inclusiva e democrática.

Apesar da proteção legal (Lei 12.764/2012), desafios como falta de adaptação no ambiente de trabalho, barreiras sociais e preconceito dificultam a inclusão, subutilizando o potencial técnico de muitos autistas.

O mercado de trabalho ainda tem um longo caminho para acolher a população autista, sendo necessário focar na valorização das habilidades e na criação de um ambiente de trabalho mais inclusivo e adaptado. 

Em 2025, o assunto da inclusão de pessoas autistas no mercado de trabalho tornou-se um tema mais presente no planejamento de áreas de Diversidade, Equidade e Inclusão das empresas.

Apesar de possuírem alto potencial em áreas técnicas, lógicas e metódicas, cerca de 85% dos adultos autistas enfrentam desemprego ou subemprego, evidenciando a necessidade de maior conscientização, suporte e adaptação ambiental nas empresas. 

Estima-se que apenas 15% dos adultos autistas estejam no mercado de trabalho.

O artigo "Inclusão profissional de pessoas autistas em 2026: avanços no discurso, limites na prática" - veiculado no CanalAutismo.com.br apresenta uma reflexão importante.

De autoria de Marcelo Vitoriano, Psicólogo, especialista em terapia comportamental cognitiva em saúde mental, mestre em psicologia da saúde, com experiência na gestão de programas de diversidade e inclusão em empresas como Sodexo no Brasil. Há 4 anos, faz parte do grupo de trabalho sobre Direitos Humanos nas Empresas da rede brasileira do Pacto Global da ONU e é diretor geral da Specialisterne no Brasil, organização social de origem dinamarquesa presente em 21 países, que atua na formação e inclusão de pessoas com autismo no mercado de trabalho.

Para ele, "Apesar do meu olhar um pouco pessimista, mas realista, acredito fortemente que há esperança, pois muitas grandes empresas já redesenham seus processos buscando receber pessoas com diferentes perfis e necessidades de suporte. Posso testemunhar centenas de pessoas incluídas com cuidado, profissionalismo, acolhimento e consequentes resultados efetivos, com profissionais iniciando sua carreira e se mantendo no mercado de trabalho. Mas é importante refletir que esse problema não pode ser apenas das pessoas autistas ou das empresas. Neste ano de eleições, precisamos eleger aliados reais ao tema e não políticos que apenas apareçam no dia 2 de abril para fotos, mas que se comprometam com ações efetivas e investimentos em políticas públicas para empregabilidade e inclusão de todo espectro."  

Profissionais alertam para dificuldades de adultos com TEA no mercado de trabalho

Cerca de 85% dos adultos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil estão fora do mercado de trabalho, segundo documento veiculado pelo senado federal. 

A Comissão de Direitos Humanos fez um audiência pública nesta quinta-feira (9 de abril de 2026) para debater as dificuldades que as pessoas na condição autista enfrentam para conseguir emprego, trabalho e renda. 

Assista o vídeo da audiência pública realizada no Senado Federal: